Manifesto propõe reforma do Judiciário com foco em transparência, ética e responsabilidade institucional
O Movimento Arquitetura e Humanismo lançou um manifesto propondo uma ampla reforma constitucional e republicana do Poder Judiciário brasileiro. A iniciativa é liderada pelo advogado e presidente do movimento, **Fred Le Blue Assis**, que afirma que o objetivo não é enfraquecer a Justiça, mas fortalecer sua legitimidade perante a sociedade.
O documento reúne propostas voltadas ao aumento da transparência, ao fortalecimento da ética pública, à revisão de mecanismos remuneratórios, ao aperfeiçoamento dos controles institucionais e à prevenção de conflitos de interesse na magistratura.
Segundo Fred Le Blue Assis, a independência do Judiciário é indispensável para a democracia, mas deve caminhar ao lado da prestação de contas.
> “Nenhuma instituição da República deve estar acima dos princípios constitucionais. Quanto maior o poder conferido a uma instituição, maior deve ser seu compromisso com a transparência, a moralidade e a responsabilidade institucional.”
## Três pilares da proposta
O manifesto está estruturado em três grandes eixos.
O primeiro trata da **moralidade administrativa e da observância do teto constitucional**. O documento defende que a remuneração dos magistrados continue compatível com a importância da função, mas propõe revisar mecanismos que permitam, na prática, pagamentos acima do teto previsto na Constituição.
Para Fred Le Blue Assis, esse debate envolve o uso responsável dos recursos públicos.
> “Não considero compatível com o espírito republicano a existência de mecanismos que permitam remunerações superiores ao teto constitucional. Quando interpretações administrativas acabam esvaziando a finalidade desse limite, abre-se um debate legítimo sobre moralidade administrativa, economicidade e proteção do patrimônio público.”
O manifesto também cita dados divulgados pela Receita Federal em 2026 que mostram membros da magistratura entre as categorias com maior patrimônio médio declarado no Imposto de Renda. Segundo o texto, essas informações não indicam irregularidades individuais, mas reforçam a necessidade de ampliar mecanismos de transparência patrimonial e prestação de contas.
## Combate à corrupção judicial
O segundo eixo aborda a **integridade institucional**.
O documento afirma que a venda de decisões judiciais representa uma das formas mais graves de corrupção por comprometer a confiança da sociedade na Justiça.
Entre as propostas estão o fortalecimento das auditorias, da fiscalização permanente, dos mecanismos de prevenção e da responsabilização administrativa, civil e penal de eventuais desvios, sempre respeitando o devido processo legal.
Para o presidente do Movimento Arquitetura e Humanismo, a independência judicial não exclui mecanismos de controle republicano.
> “A independência judicial é uma garantia da sociedade, jamais uma prerrogativa destinada a afastar transparência ou prestação de contas.”
## Ética e conflitos de interesse
O terceiro eixo propõe o aperfeiçoamento dos códigos de ética da magistratura e regras mais objetivas para prevenir conflitos de interesse.
Entre as sugestões está a ampliação das hipóteses de impedimento e suspeição quando familiares próximos de magistrados atuarem perante o mesmo tribunal ou unidade judiciária, especialmente em situações que possam comprometer a aparência de imparcialidade.
Segundo Fred Le Blue Assis, a confiança pública depende não apenas da imparcialidade efetiva, mas também da percepção de independência.
> “O Poder Judiciário não precisa apenas ser independente. Precisa ser reconhecido pela sociedade como independente, íntegro, eficiente, transparente e absolutamente comprometido com a Constituição.”
## Custo do Judiciário
Outro ponto destacado no manifesto é o custo do sistema judicial brasileiro.
O texto menciona o relatório *Justiça em Números 2026*, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo o qual mais de 90% das despesas do Judiciário são destinadas ao pagamento de pessoal.
Para Fred Le Blue Assis, experiências internacionais demonstram que é possível manter uma Justiça eficiente sem estruturas excessivamente onerosas.
> “Existem países que demonstram ser possível manter um Poder Judiciário eficiente, independente e respeitado sem a formação de uma aristocracia estatal marcada por privilégios. O Brasil, por possuir uma das maiores desigualdades sociais do mundo, deveria adotar padrões ainda mais rigorosos de moralidade, economicidade e eficiência.”
## Justiça fortalecida
Apesar das críticas ao atual modelo, Fred Le Blue Assis afirma que a proposta não pretende reduzir a autonomia do Judiciário.
Segundo ele, o objetivo é fortalecer a confiança da população nas instituições republicanas.
> “A reforma do Judiciário não é uma pauta contra juízes. É uma pauta em favor da República. Defender transparência, responsabilidade fiscal, moralidade administrativa, eficiência e respeito aos direitos fundamentais significa fortalecer a Justiça brasileira.”
O manifesto conclui afirmando que instituições fortes são aquelas que aceitam ser fiscalizadas, prestam contas à sociedade e demonstram compromisso permanente com a Constituição, com o patrimônio público e com a dignidade da pessoa humana
Imagem: Divulgação internet
Por Fred Le Blue Assis.
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