Lançamento de Programa de Cultura Inclusiva marca nova etapa de inclusão profissional no Sicoob UniCentro Br
Projeto foi apresentado em evento na sede da cooperativa no último dia 29 de maio, e reuniu entidades parceiras, colaboradores e nomes de peso na causa como o ativista João Vitor de Paiva e o procurador Eduardo Mesquista
O Sicoob UniCentro Br oficializou, na última quinta-feira (29), o seu Programa de Cultura Inclusiva, projeto que resultou na contratação de 16 pessoas com deficiência (PCDs) para atuação em suas agências em Goiânia e sede administrativa. Desenvolvido em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) Goiânia, o Núcleo de Arte e Inclusão do Autista (NAIA) e a Associação Down de Goiás (As Down), o programa amplia em 64% o número de profissionais com deficiência no quadro de colaboradores da cooperativa.
Na foto, membros da diretoria, time de Gente & Cultura e os novos colaboradores do Sicoob UniCentro Br posam com o ativista João Vitor de Paiva (de preto, ao centro)
Com as novas contratações, o Sicoob UniCentro Br reforça sua atuação voltada à inclusão e ao desenvolvimento social, contando, atualmente, com 42 PCDs em seu quadro funcional, número superior ao exigido pela legislação. Para o diretor-presidente da cooperativa financeira, Diogo Mafia, o programa representa um passo alinhado aos princípios cooperativistas e à trajetória da instituição, que sempre buscou ampliar e fortalecer sua cultura inclusiva.
“Nossa cooperativa é originalmente dirigida por médicos e, por isso, temos uma longa vivência com atividades de inclusão de pessoas com deficiência. Reforçar esse movimento no Sicoob UniCentro Br é o resultado natural da experiência de conhecer a influência positiva que isso gera. É uma ação que beneficia as equipes, os cooperados e, principalmente, cria oportunidades reais de trabalho para PCDs dentro da comunidade”, afirma.
O presidente destaca ainda que o lançamento do programa formaliza um trabalho que já vinha sendo desenvolvido pela cooperativa. “Nós já tínhamos mais de 20 pessoas com deficiência trabalhando no nosso dia a dia e, portanto, nossas estruturas físicas já são adaptadas. O principal investimento do Programa de Cultura Inclusiva foi nas pessoas, conscientizando lideranças e equipes para que esses profissionais sejam efetivamente integrados e possam desenvolver todo o seu potencial”, ressalta.
Diogo Mafia também acredita que o projeto pode estimular outras organizações a ampliarem ações semelhantes. “Esperamos que o Cultura Inclusiva sensibilize outros empresários e gestores. Não se trata de favor ou obrigação. No cooperativismo, trata-se de gerar impacto verdadeiro e genuíno para a comunidade”, completa.
Acompanhamento fortalece acolhimento
A gerente de Gente e Cultura do Sicoob UniCentro Br, Andrea Dantas, explica que o programa foi estruturado antes mesmo da chegada dos novos colaboradores, envolvendo capacitação das lideranças, das equipes e dos padrinhos responsáveis por acompanhar os profissionais em suas unidades de trabalho. “O significado para nós é viver o cooperativismo na essência. Não estamos incluindo apenas colaboradores, estamos alcançando famílias, o que reflete diretamente na sociedade. Essas pessoas foram treinadas, capacitadas, e nossas lideranças também foram preparadas para recebê-las. É uma troca mútua, porque aprendemos muito com elas”, destaca.
Andrea garante que o acompanhamento será permanente e realizado em conjunto com as instituições parceiras. Os padrinhos passaram por capacitações específicas e continuarão recebendo treinamento periódico, enquanto equipes técnicas do Sicoob UniCentro Br e das entidades parceiras farão visitas mensais aos locais de trabalho.
A gerente destaca ainda que o programa tem contribuído para fortalecer um ambiente mais acolhedor dentro da cooperativa. “Quando começamos a trabalhar o letramento interno, vários colaboradores passaram a se sentir seguros para compartilhar suas neuro divergências ou deficiências ocultas. Percebemos que nosso número de pessoas com deficiência era ainda maior do que imaginávamos. Isso mostra o quanto a segurança psicológica é importante para a inclusão acontecer de fato”, ressalta.
Parcerias otimizam tempo de contratação
O diretor operacional do Sicoob UniCentro Br, Charles Campanha, destacou que a iniciativa foi motivada pela percepção de que a cooperativa poderia ampliar ainda mais sua contribuição para a inclusão profissional, e que deverá ser ampliada em um futuro próximo. “O próximo passo é consolidar a atuação dos novos colaboradores e expandir o projeto para outras unidades da cooperativa. Mas, primeiramente, é preciso incluí-los e apoiá-los nessa jornada. Depois, vamos buscar formas de potencializar o programa para outras agências e oferecer novas perspectivas de inclusão”, explica.
O dirigente também frisou a importância das parcerias com as entidades especializadas. De acordo com Campanha, enquanto um processo convencional de contratação de pessoas com deficiência pode levar até 12 meses, a seleção, preparação e direcionamento dos novos profissionais foi concluída em cerca de três meses. “Isso trouxe uma eficiência muito grande para a cooperativa, além da segurança de contar com instituições que possuem expertise no acompanhamento desses colaboradores”, pontua.
Um dia de celebração
Durante o evento, representantes das entidades parceiras celebraram a relevância da iniciativa para a promoção da autonomia e do pertencimento das pessoas com deficiência. Para o presidente do NAIA, Marcelo Oliveira, o Cultura Inclusiva cria uma alternativa concreta para que pessoas com deficiência desenvolvam suas habilidades. “Não só eles aprendem, como também o ambiente de trabalho ganha muito nessa convivência. Quando encontramos instituições como o Sicoob UniCentro Br, que têm essa preocupação de incluir e integrar de verdade, isso vai ao encontro do que buscamos: fazer com que essas pessoas sejam produtivas de fato”, destaca.
Já procurador da Federação das APAEs de Goiás (FEAPAES-GO), Eduardo Mesquita, que ministrou palestra no evento de lançamento, reiterou a importância do engajamento das lideranças e equipes para garantir a permanência desses profissionais no mercado de trabalho. “O ingresso é um desafio, mas a permanência também. Quando a direção, os coordenadores e as equipes estão envolvidos, as pessoas conseguem se desenvolver, superar dificuldades e construir uma trajetória profissional. O trabalho passa a ser um espaço de pertencimento e crescimento”, afirma.
O influenciador e ativista João Vitor de Paiva, primeiro aluno com síndrome de Down da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), também esteve como convidado para palestrar no lançamento, a fim de incentivar os novos contratados com sua trajetória de vida. João enfatizou a importância da conquista desses espaços para PCDs. “Pessoas com deficiência podem fazer tudo. É importante abrir caminhos e incluir cada vez mais pessoas no mercado de trabalho”, reforça.
Athos Particheli, um dos novos colaboradores recém contratados pelo Programa de Cultura Inclusiva, comemorou sua primeira experiência com carteira assinada. “Estou muito feliz. Fui tratado com respeito durante todo o processo e estou muito grato pela conquista da vaga em uma função administrativa”, relata. Aos demais profissionais com deficiência que sonham em ingressar no mercado de trabalho, Athos deixa uma mensagem de incentivo. “Seja forte, seja persistente e procure se conhecer cada vez mais. Você pode muito!”, aconselha.
Por Mari Faria
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