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Entre o místico e o maduro: o living assinado por Mariana Carvalho para CasaCor Goiás 2026 

Mariana Carvalho retorna à CasaCor Goiás com o espaço “Camadas da Intuição”. Ambiente sensorial é inspirado no tarot, onde memória, arte e espiritualidade se entrelaçam em uma narrativa autoral 

Depois de nove anos, a arquiteta Mariana Carvalho volta à CasaCor Goiás com um projeto que traduz sua evolução profissional, além de ser um mergulho mais profundo em sua própria identidade criativa. Em Camadas da Intuição, a profissional apresenta um living/estar de 60 metros quadrados que convida o visitante a atravessar percepções e sentimentos, guiado por símbolos, cores e narrativas que vão além do olhar. “Esse espaço nasce de um momento muito pessoal, de escuta e reconexão. É um projeto que fala sobre sentir, sobre confiar na intuição e permitir que ela conduza as escolhas”, afirma Mariana. 

Living Camadas da Intuição na CasaCor Goiás 2026, por Mariana Carvalho (Créditos – Elton Rocha)

Inspirado por referências como o universo onírico e envolvente do bar Rabo di Galo, no hotel Rosewood, o ambiente se conecta diretamente ao tema da CasaCor Goiás 2026, “Mente e Coração”. A proposta equilibra razão e sensibilidade, técnica e emoção, criando uma experiência que vai além do visual. 

As cores intensas, aliadas às texturas e aos símbolos, estimulam tanto a mente quanto o sentir, promovendo uma vivência completa e introspectiva. “É um ambiente que pede presença. Que convida a sentir antes de entender. E que mostra que, muitas vezes, as respostas estão nas camadas mais sutis da nossa percepção”, explica a arquiteta. 

Imagens: Mariana Carvalho para CasaCor Goiás 2026 

O tarot como linguagem sensível 

Em Camadas da Intuição, o tarot surge como fio condutor da narrativa e como uma ferramenta simbólica que orienta a composição do espaço. Além de uma referência estética, ele aparece como uma linguagem intuitiva, que conduz o visitante por diferentes camadas de percepção. 

A presença do tarot se manifesta de forma sutil, por meio de elementos visuais, composições e escolhas cromáticas que evocam introspecção e conexão com o invisível. O ambiente convida a uma leitura não linear, onde cada detalhe pode ser interpretado de maneira única. 

“O tarot aqui não aparece de forma literal, mas como energia, como intenção. Ele guia o projeto de maneira sutil, quase como um convite para que cada pessoa interprete o espaço à sua maneira”, explica. 

Um espaço de camadas, arte e autoria 

A estética maximalista se revela em um ambiente construído por sobreposições, contrastes e uma curadoria criteriosa de peças que carregam história e identidade. Em Camadas da Intuição, a decoração é parte essencial da narrativa, reunindo design autoral, mobiliário icônico e produções artísticas locais. 

Entre os destaques, o mobiliário traz peças assinadas por importantes nomes do design brasileiro. A aparador Alva (2013), de Marcelo Alvarenga e Susana Bastos, surge como elemento estruturante, enquanto o sofá Nave (2025), de Roberta Banqueri, e o sofá Brisa, de Alê Alvarenga, contribuem para a composição acolhedora do living. Ícones como a poltrona ViVi (1962) e a cadeira Tião, ambas de Sergio Rodrigues, dialogam com peças contemporâneas, como a mesa Pigmento (1994), de Luciana Martins e Gerson de Oliveira, a mesa lateral Conta, de Ana Weege, e a mesa Concrete, do Estúdio Bola. Complementam o ambiente o banco Taboa (2023), de Porfirio Valladares, a poltrona Nolita, de Giacomo Tomazzi, além de criações de Fabiana Queiroga e peças em desenvolvimento, como a cadeira Chroma. 

A presença de artistas goianos reforça o caráter autoral e afetivo do espaço. Os tapetes “Olhar para o céu”, de Marcus Camargo, conduzem o olhar e delimitam áreas de convivência, enquanto as ilustrações de Emilia Simon e Andréia Rocha Lima adicionam camadas narrativas às paredes. Os quadros bordados de Rafael Chaves e as telas de Thais Parreira e Nicole Belchior ampliam a dimensão sensorial, ao passo que as cerâmicas de Valéria Salvador introduzem elementos táteis e orgânicos, conectando o ambiente ao fazer manual. 

A iluminação também assume papel fundamental na construção da atmosfera. Peças como o abajur Laguna, da Artemide, e o pendente Convexo, de Cristiana Bertolucci, criam pontos de destaque, enquanto arandelas como a Dominó, da La Lampe, e a Orbe Parede contribuem para um jogo de luz e sombra que intensifica a experiência imersiva. “Eu quis construir um espaço com camadas, onde cada elemento conta uma parte da história. Nada está ali por acaso. Tudo tem uma intenção, um significado, uma memória”, ressalta Mariana. 

Um retorno que marca transformação 

A trajetória de Mariana na CasaCor Goiás começou em 2013 e se estendeu por diferentes propostas ao longo dos anos, com destaque para o trabalho desenvolvido para o restaurante 1929, apresentado em 2017, e que foi um grande marco em sua carreira. Agora, em 2026, seu retorno carrega uma maturidade que se reflete em cada detalhe do ambiente, evidenciando um olhar mais sensível e autoral. 

Ao longo desse período, a arquiteta aprofundou sua conexão com processos criativos que valorizam o significado das escolhas. O resultado é um projeto que busca provocar sensações e estabelecer vínculos emocionais com quem a vivência. 

“Hoje eu me permito criar com mais liberdade. Entendi que a arquitetura também pode ser um lugar de expressão emocional, onde cada escolha tem um significado”, destaca. 

CasaCor Goiás 2026 

A 29ª edição da CasaCor Goiás será realizada de 30 de abril a 21 de junho, na Rua 1131, no Setor Marista, em Goiânia.Em um contexto marcado pela hiperconectividade e pela busca constante por produtividade, a edição de 2026 propõe uma pausa e um convite à reconexão com o essencial. O tema “Mente e Coração” orienta os projetos ao resgatar o lar como um espaço de equilíbrio entre corpo e espírito, razão e sentimento. 

Por Mari Faria

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