Cultivo de trigo avança no calor do cerrado brasileiro

Grão é tradicionalmente produzido no Sul. Mais da metade do que é consumido no país é importado.

Por Globo Rural


Cultivo de trigo avança no calor do cerrado brasileiroGlobo Rural

Cultivo de trigo avança no calor do cerrado brasileiro

Cultivo de trigo avança no calor do cerrado brasileiro

O Brasil importa mais da metade do trigo que consome e, da parte que é produzida no país, quase tudo vem do Sul. Mas isso pode mudar: o grão está conquistando também o cerrado.

O Oeste da Bahia, por exemplo, alcançou nesta safra a maior produtividade média do país: 6 toneladas de trigo por hectare. A média nacional não chega a 3 toneladas.

Na região de Luís Eduardo Magalhães, pelo menos cinco agricultores apostaram nesse cultivo como uma alternativa para a entressafra de soja. Juntos, eles já somam 3 mil hectares de plantação.

Só na fazenda de Fábio Ricardi, a lavoura de trigo saltou de 100 para 900 hectares. “Ele entrou para suceder outras culturas e evitar doenças, diminuir pragas de solo e melhorar a rotação de culturas”, conta.

A cultura é irrigada e a água é cortada na hora certa, fazendo com que o cereal feche o ciclo sem umidade no grão. Assim, o trigo pode ser armazenado por mais tempo e o produtor escolhe a melhor época para vender. Com isso, chega a ganhar de 15% a 20% mais.

Além da Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás também apostaram na cultura. Em todo o cerrado, a expectativa é de colher quase 600 mil toneladas neste ano, um aumento de 70% em relação às 350 mil toneladas produzidas em 2010.

A família do produtor Egydio Bonato planta trigo em Cristalina, Goiás, há 30 anos. Ele trouxe a experiência do Rio Grande do Sul e resolveu apostar no cerrado por conta do clima que favorece o desenvolvimento do grão, com dias quentes e noites mais frias, em torno dos 11 graus. Neste ano, plantou 180 hectares de trigo e a produção foi de 1,2 mil toneladas.

Trabalho da Embrapa

A boa produção e qualidade do trigo no cerrado se devem muito ao trabalho da Embrapa. Em 40 anos de pesquisa em melhoramento genético, a instituição já desenvolveu em torno de 50 novas variedades de trigo adaptadas para a região. A busca é por alta produtividade e qualidade industrial para panificação.

“Nós buscamos trigos com alta força de glúten, alta estabilidade, principalmente. É o que vai fazer com ele produza uma farinha de boa qualidade”, explica Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados.

O desafio agora é encontrar variedades de sequeiro, que não dependam de irrigação, para a região.

O produtor José Guilherme Brenner está plantando trigo de sequeiro em suas terras pela terceira vez. Esse tipo precisa de temperaturas ainda mais baixas que o irrigado. Este ano, conseguiu colher 2,8 mil quilos de trigo por hectare, um rendimento acima da média nacional.

Sua produção vai para a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF). Hoje, dos 150 cooperados, 30 plantam trigo de sequeiro ou irrigado.

Esse trigo, que antes enfrentava resistência da indústria, hoje tem um dos maiores rendimentos do país: até 800g de farinha por cada quilo de grão. No mês passado, cooperativa bateu o recorde de moagem: 1,05 toneladas de farinha.

“Acho que o cerrado tem uma importância muito grande nessa autossuficiência no trigo nacional. Talvez vá tornar o Centro-Oeste um exportador de matéria-prima para os estados do Sul, e talvez que sabe até para outros países”, diz Leomar Cenci, presidente da Coopa-DF.

Os brasileiros consomem 11 milhões de toneladas de trigo por ano. Assim como esse cereal, a soja também começou a ser cultivada no Sul do país e foi se adaptando ao cerrado até se tornar o grão mais cultivado do país.

Por g1.globo.com

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás

219 thoughts on “Cultivo de trigo avança no calor do cerrado brasileiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.